quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Vento-Despedida

-Vento, por que passas tão ligeiro?
-Porque vou levar notícias.
-Levar notícias aonde?
-Ao fim da vida.
-Não, não vás a este lugar.
-Só indo, cumprirei com meu destino de ar.
-Mas, por que o ar passa?
-Porque tudo há sempre de passar.
Até o sol passará.
-Daqui há milhões de anos.
-Sossegue. Dobre seus olhos e eu lhe roubarei a visão.
- Nem sequer minhas pupilas se mexem. Hei de respirar.
-Preciso partir. Sou o tempo que passa.
-Vento, neste adeus, pague-me flores da primavera enquanto elas existem e
vele-me na dor do adeus.
-Não se assuste, em tua partida respondo ao teu adeus.
-Nenhuma despedida é tão certa e difícil ao mesmo tempo.
-Não chores, assim molharás meu véu e sou irmão da morte amiga.
-Sim, Meu Ar, entregue-me meu trigo bom para levar a Deus o que colhi .
-Não se preocupe tu chegarás com os lírios do campo.
-Abane-me, abane-me. Revele-se em toda beleza e grandeza,
Já que o meu tempo chega e tu és o meu par.
Oh vento de todos os ventos.
-Não fales mais, tudo agora se transforma em aurora.

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